
25 JUN 2026
Certificado Digital, Reforma Tributária
Descubra tudo sobre a Reforma Tributária: o que muda com CBS, IBS e Imposto Seletivo, quais impostos serão extintos, e como sua empresa será impactada até 2033.
A Reforma Tributária é um conjunto de mudanças estruturais no sistema de arrecadação de tributos no Brasil, aprovado por meio da Emenda Constitucional n.º 132/2023.
Seu foco principal é substituir cinco tributos sobre consumo (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por dois impostos com base no modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA): a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), além do Imposto Seletivo (IS).
O novo modelo visa garantir mais simplicidade, transparência e justiça fiscal, eliminando distorções que comprometem a competitividade econômica e geram desigualdade entre estados e setores. A proposta representa uma das maiores transformações no sistema tributário brasileiro em mais de 50 anos.
Saiba mais sobre a Reforma Tributária em: “Reforma tributária 2026: o que você precisa saber?”
O principal objetivo da Reforma Tributária é simplificar o sistema tributário brasileiro, tornando-o mais claro, eficiente e neutro. Atualmente, a complexidade na apuração e no cumprimento de obrigações fiscais aumenta custos para empresas e governos, gera insegurança jurídica e estimula a guerra fiscal entre estados e municípios.
Entre os objetivos centrais estão:
A Reforma Tributária está estruturada sobre cinco pilares principais:
Essa nova base garante maior eficiência, neutralidade e justiça fiscal, favorecendo o crescimento econômico sustentável.
A Reforma Tributária extinguirá os seguintes tributos atuais sobre consumo:
Esses tributos serão gradualmente substituídos até 2033 por CBS, IBS e o Imposto Seletivo, reduzindo drasticamente a complexidade no cálculo e recolhimento.
Saiba mais em: “Extinção de impostos na Reforma Tributária: como acontecerá?”
Esses tributos foram historicamente criados para diferentes níveis de arrecadação (federal, estadual e municipal), mas acabaram se tornando sobrepostos, complexos, cumulativos e economicamente ineficientes. Veja por que eles serão extintos:
A unificação desses tributos eliminará as redundâncias, reduzindo a litigiosidade e os custos de conformidade, criando um sistema mais neutro e harmônico. Além disso, o novo modelo tributário respeita o princípio da não cumulatividade plena, essencial para evitar que o imposto “em cascata” seja repassado ao consumidor final.
Entenda como esses impostos funcionam no ClickNotas: “Quais impostos incidem sobre uma nota fiscal: ICMS, ISS, PIS e COFINS explicados”.
A Reforma Tributária será implementada de forma gradual, garantindo um processo de adaptação tanto para governos quanto para empresas. O cronograma é dividido em três grandes fases:
Essa transição foi desenhada para evitar choques fiscais, permitir ajustes técnicos e tecnológicos, e garantir segurança jurídica a todos os entes federativos.
Leia também: “Reforma tributária para o contador: cronograma, rotinas e entregáveis por fase”.
A substituição dos tributos sobre consumo será feita por três novos impostos, mais claros e de base ampla:
O IPI será gradualmente reduzido a zero em todo o país, mantendo incidência específica apenas para a Zona Franca de Manaus conforme previsão constitucional.
Esses novos impostos integram o modelo IVA Dual brasileiro, seguindo padrões internacionais de tributação moderna, com não cumulatividade ampla, crédito financeiro pleno, base de incidência ampliada e transparência para consumidores.
A Reforma Tributária institui três novos tributos principais que irão compor o modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) brasileiro:
Saiba mais sobre o substituto do ICMS e o ISS em: “Imposto sobre Bens e Serviços (IBS): guia do novo imposto”.
O modelo IVA dual adotado na Reforma Tributária combina a arrecadação federal e subnacional de forma harmônica:
Esse modelo é amplamente utilizado em economias desenvolvidas e traz maior transparência, previsibilidade e neutralidade ao sistema.
Saiba mais sobre o substituto do PIS e Cofins em: “Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS): tudo sobre o novo imposto“.
Com o IVA dual, o sistema tributário brasileiro sofrerá transformações profundas:
Essas mudanças buscam melhorar o ambiente de negócios, reduzir o “custo Brasil” e promover um modelo tributário compatível com os padrões internacionais.
A implementação da Reforma será gradual e em fases. Confira o cronograma definido pela legislação:
Durante essa transição, empresas e órgãos públicos terão tempo para adequar sistemas, treinamentos e práticas contábeis, o que também permite ajustes técnicos na legislação e regulamentação.
Empresas optantes pelo Simples Nacional não sairão do regime com a reforma. Contudo, mesmo mantendo seu enquadramento, essas empresas passarão a informar valores referentes à CBS e IBS nas notas fiscais eletrônicas, conforme o novo sistema.
As mudanças principais são:
A adequação inicial será mais tecnológica do que tributária, exigindo atualizações nos sistemas de emissão de NF-e e controle fiscal.
As PMEs (Pequenas e Médias Empresas) terão impactos principalmente nos aspectos operacionais, tecnológicos e informativos:
Embora o impacto tributário direto seja menor no curto prazo, o impacto tecnológico e documental será imediato.
A reforma exige mudanças importantes nas NF-e para que o novo modelo seja operacionalizado de forma eficaz:
Essa nova estrutura de emissão será implementada de forma gradual, com testes e ajustes entre 2026 e 2032.
A Reforma impactará todos os setores da economia, mas de forma diferenciada, dependendo da complexidade das cadeias produtivas e do uso de créditos tributários.
Setores com maior impacto:
Além disso, setores sujeitos a regimes especiais ou à substituição tributária atual terão tratamento diferenciado na transição.
A Reforma Tributária prevê o fim da substituição tributária (ST) como conhecemos hoje, especialmente no âmbito do ICMS e do ISS. Com o novo modelo de IVA dual (CBS e IBS), a cobrança antecipada perde sentido, pois:
Assim, a tendência é de redução drástica da complexidade atual, com o fim de milhares de regras estaduais distintas e litígios sobre ST.
O Imposto Seletivo (IS) é um tributo com função regulatória (extrafiscal) criado para incidir sobre produtos e serviços considerados nocivos à saúde ou ao meio ambiente.
Diferente da CBS e do IBS, o IS não gera direito a crédito, pois sua função não é arrecadatória, mas sim de desestimular o consumo de certos bens. Ele substitui parcialmente o IPI em alguns casos e poderá ter alíquotas mais elevadas, conforme regulamentação futura.
Conheça o Imposto Seletivo (IS) em: “Imposto Seletivo (IS): guia completo sobre o novo imposto”.
A Reforma Tributária representa uma mudança histórica na forma como os tributos sobre consumo são cobrados no Brasil. Com a substituição de cinco tributos por três novos, o país caminha para um modelo:
A adoção de um IVA dual, somada à digitalização dos processos e devoluções automáticas de créditos e tributos (como o cashback para famílias de baixa renda), promove um ambiente fiscal mais equilibrado e compatível com as práticas internacionais.
O certificado digital será uma peça-chave na nova era fiscal brasileira. Ele garantirá:
Para empresas e profissionais contábeis, manter um certificado digital ativo e atualizado será essencial para operar dentro do novo modelo fiscal de forma legal, eficiente e segura.
Hellen Mota é jornalista e redatora. Escreve de forma simples e acessível, ajudando empreendedores a conquistar mais autonomia e segurança.
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