
15 ABR 2026
Reforma Tributária, Contabilidade
Com a aprovação da Reforma Tributária (EC 132/2023), as empresas brasileiras estão diante de um dos maiores desafios fiscais das últimas décadas: adaptar seus processos e documentos fiscais a um novo sistema de tributos incluindo a substituição de ICMS, ISS, PIS e Cofins por IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o novo Imposto Seletivo (IS).
Uma das mudanças mais significativas ocorre justamente no modelo da nota fiscal, que passará a conter novos campos, cálculos e validações. Como a apuração dos tributos será feita com base nas informações declaradas nos documentos fiscais, o cuidado com os dados inseridos no XML e a estrutura das notas será ainda mais essencial para garantir a conformidade.
Antes de entender as mudanças que vêm com a Reforma, é importante saber como funciona o modelo atual de nota fiscal eletrônica.
Hoje, os três principais tipos de nota fiscal eletrônica são:
Cada modelo segue layouts padronizados e definidos por órgãos como a SEFAZ, prefeituras ou ambiente nacional, com campos específicos para identificar:
O XML da nota fiscal é o arquivo digital que contém todas as informações fiscais da operação. Ele é gerado automaticamente pelo sistema emissor, assinado com certificado digital e transmitido ao Fisco.
Esse processo garante:
Após a validação, o Fisco autoriza a nota, e o XML passa a ter validade jurídica plena. O DANFE, por sua vez, é apenas uma representação gráfica da nota e não substitui o XML.
Com a chegada de IBS, CBS e IS, o XML continuará sendo o documento oficial, mas exigirá novos campos, validações e ajustes técnicos.
A entrada dos tributos IBS (estadual/municipal), CBS (federal) e Imposto Seletivo (IS) exigirá mudanças importantes na forma como as notas fiscais são preenchidas e processadas. Embora o modelo eletrônico (XML) continue sendo a estrutura oficial, o conteúdo fiscal do documento será profundamente alterado.
Com a substituição de ICMS, ISS, PIS e Cofins, as notas fiscais precisarão refletir os novos tributos em campos próprios e específicos. Algumas das principais mudanças incluem:
Essa mudança de conteúdo visa permitir que o sistema de apuração eletrônica dos novos tributos funcione com base exclusivamente nas informações prestadas no XML da nota.
Apesar das mudanças no conteúdo, a estrutura técnica da nota fiscal não será totalmente substituída. Isso significa que o formato XML continua sendo o padrão nacional, e muitos dos campos atualmente utilizados permanecem válidos, como:
O que muda, na prática, é o preenchimento de campos específicos e a forma como o sistema interpreta os dados inseridos. A validação eletrônica também será mais exigente, com cruzamentos automáticos e rastreabilidade total das operações.
Atenção: Empresas que não atualizarem seus sistemas emissores e cadastros fiscais correm o risco de emitir notas com dados incorretos, perdendo créditos ou sofrendo penalidades.
Leia também: “CBS e IBS: o que são, quando começam e como afetam seu dia a dia”.
Com a implementação do IBS, da CBS e do Imposto Seletivo (IS), a nota fiscal passará a exigir informações fiscais mais detalhadas para garantir a correta apuração eletrônica e o cumprimento das novas regras da Reforma Tributária.
A principal novidade é a obrigatoriedade de destacar separadamente o IBS (estadual e municipal) e a CBS (federal) nas notas fiscais. Cada um desses tributos terá seus próprios campos no XML, com dados como:
Importante: esses dados não podem ser apenas visíveis no DANFE, devem obrigatoriamente estar preenchidos corretamente no XML da nota fiscal eletrônica, pois é ele que será lido pelo sistema de apuração nacional.
Para empresas que atuam com produtos ou serviços sujeitos ao Imposto Seletivo (IS), será necessário incluir nas notas:
Essas informações devem ser incluídas sempre que houver incidência do IS, mesmo que o imposto não esteja sendo recolhido naquele momento (exemplo: substituição tributária ou isenção).
As novas exigências também impactam como a base de cálculo dos tributos é definida na nota fiscal. Isso inclui:
Um erro na base de cálculo pode afetar diretamente o valor do imposto a recolher e o direito ao crédito nas operações subsequentes.
A nova estrutura das notas também fortalece o princípio da transparência fiscal, previsto na Emenda Constitucional nº 132/2023. Isso significa que o consumidor final, pessoa física ou jurídica deve ter acesso claro aos tributos incidentes na operação.
Por isso, o DANFE e outros documentos auxiliares deverão trazer o valor do IBS, CBS e IS destacados de forma visível, mesmo que o XML seja o único documento com validade jurídica.
Leia também em: “Não cumulatividade plena: o que isso significa?”.
Com a implementação do novo modelo tributário, a nota fiscal eletrônica (NF-e) passa a ter uma função ainda mais estratégica: ela será a base principal para o cálculo, fiscalização e recolhimento automático dos tributos.
O Fisco passará a depender diretamente da qualidade e precisão das informações declaradas no XML para realizar a apuração dos impostos.
Na prática, o que estiver declarado no XML da nota fiscal será o que alimentará os sistemas nacionais de apuração do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do Imposto Seletivo.
Ou seja, os tributos não serão mais calculados de forma separada ou manual, mas sim com base em:
Isso torna a emissão correta da nota fiscal um passo obrigatório para garantir o cumprimento da obrigação tributária e o aproveitamento adequado de créditos fiscais.
Outra mudança importante trazida pela Reforma Tributária é o aumento do cruzamento de informações entre diferentes fontes, como:
Esse cruzamento será realizado por plataformas automatizadas de fiscalização, capazes de identificar divergências em tempo real. Com isso:
Em resumo: a nota fiscal eletrônica deixa de ser apenas um documento de registro e passa a ser o principal instrumento de apuração digital dos tributos.
No ClickNotas você sabe tudo sobre a apuração de tributos em: “Por que a NF-e é essencial para a apuração de tributos”.
Com a chegada do IBS, CBS e IS, o certificado digital ganha ainda mais importância como ferramenta obrigatória para garantir segurança, validade jurídica e comunicação direta com o Fisco.
Ele será indispensável em todo o processo de emissão, assinatura e transmissão da nota fiscal eletrônica, especialmente no novo modelo de apuração automática dos tributos.
A assinatura digital com certificado ICP-Brasil é o que torna a nota fiscal eletrônica um documento válido legalmente. Ela comprova que:
Essa assinatura é aplicada diretamente no arquivo XML da NF-e, NFS-e ou NFC-e, garantindo sua autenticidade e integridade perante a Receita Federal, Secretarias de Fazenda estaduais e, agora, também ao Comitê Gestor do IBS.
Sem o certificado digital válido, a nota fiscal não é transmitida nem registrada, o que impede a apuração dos tributos e bloqueia o direito ao crédito.
Além da assinatura, o certificado digital é utilizado para estabelecer uma conexão segura entre os sistemas da empresa e os sistemas públicos de apuração tributária, como:
Essa conexão criptografada assegura que os dados fiscais transmitidos sejam protegidos contra interceptações, fraudes ou alterações, o que é essencial em um ambiente de apuração totalmente digital, como o que está sendo implementado com a Reforma.
Importante: Empresas que já emitem notas fiscais eletrônicas provavelmente já usam o certificado digital, mas precisarão atualizar cadastros e revisar integrações para atender às novas exigências fiscais.
Saiba o papel do certificado na Reforma em: “Reforma Tributária e certificado digital: o que você precisa saber”.
A partir da entrada em vigor do IBS, CBS e IS, a fiscalização se tornará mais automatizada e integrada entre os entes federativos. Isso acontece porque:
Com isso, a dependência de papel diminui drasticamente, dando lugar a sistemas digitais de fiscalização cruzada que operam com alto nível de automação.
Isso significa que erros antes detectados só em fiscalizações presenciais poderão ser identificados imediatamente, no momento da emissão da nota.
A nova estrutura da nota fiscal com os tributos reformulados permitirá que a Receita Federal, os estados e os municípios:
Esse modelo exigirá das empresas um maior cuidado com o preenchimento correto da nota fiscal, especialmente com os campos relacionados ao IBS, CBS e IS, além de manter a segurança dos dados com certificados digitais válidos.
Importante: notas emitidas com erros poderão ser rejeitadas ou gerar autuações mesmo sem a necessidade de fiscalização presencial.
Saiba mais em: “Qual o uso do certificado digital na digitalização fiscal?”.
Não totalmente, mas será ampliado e adaptado para comportar os novos tributos: IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IS (Imposto Seletivo).
Não será necessário criar um tipo completamente novo de nota, mas os sistemas emissores precisarão ser atualizados para lidar com:
Ou seja, o modelo permanece sendo a NF-e, NFS-e ou NFC-e, mas com novas exigências técnicas e legais.
Sim. O certificado digital continua obrigatório para todas as empresas obrigadas a emitir nota fiscal eletrônica.
Além disso, ele será ainda mais relevante na nova realidade fiscal, pois:
Atenção: empresas que não mantiverem seu certificado atualizado correm o risco de não conseguir emitir notas nem acessar plataformas governamentais de apuração.
O cronograma da Reforma Tributária prevê:
Portanto, a partir de 2026 todas as empresas devem estar com seus sistemas emissores ajustados, mesmo que os valores de IBS e CBS ainda sejam baixos no início.
Saiba o papel do certificado na Reforma em: “Reforma Tributária e certificado digital: o que você precisa saber”.
A Reforma Tributária representa uma transformação profunda na forma como os tributos são apurados, declarados e recolhidos no Brasil. E, no centro dessa mudança, está a nota fiscal eletrônica que se consolida como o principal instrumento de cálculo, controle e fiscalização dos novos tributos: IBS, CBS e o Imposto Seletivo (IS).
Com a introdução de novos campos no XML, maior exigência de transparência nas operações e o uso intensivo de dados digitais, o modelo de nota fiscal deixa de ser apenas um documento fiscal e passa a ser uma peça essencial da conformidade tributária.
Nesse novo cenário, o uso do certificado digital, a atualização dos emissores de nota e a integração com sistemas contábeis e fiscais deixam de ser uma vantagem e se tornam necessidades operacionais básicas.
A tecnologia, portanto, será aliada estratégica das empresas não apenas para cumprir obrigações legais, mas também para garantir segurança jurídica, evitar autuações e assegurar o direito ao crédito tributário.
Empresas que se prepararem com antecedência, investindo em tecnologia e treinamento, estarão mais prontas para operar com eficiência e competitividade no novo ambiente fiscal brasileiro.
Hellen Mota é jornalista e redatora. Escreve de forma simples e acessível, ajudando empreendedores a conquistar mais autonomia e segurança.
5passos simples para obter seu Certificado Digital
Baixe o infográfico e veja como é fácil fazer tudo online.
Quero ver como funciona

15 ABR 2026
Reforma Tributária, Contabilidade

13 ABR 2026
Contabilidade, Reforma Tributária

31 MAR 2026
Contabilidade, Reforma Tributária